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quarta-feira, 23 de junho de 2010

vai te chamar

excluir o número do contato da agenda telefônica.
não tem mais essa de excluir das suas redes sociais. o negócio mesmo é excluir os seus próprios perfis. aí sim você elimina qualquer chance de ser encontrado, bisbilhotado, stalkeado, seja lá o verbo pertinente a esta ação que designa 'querer saber da vida do outro'.
pronto.
está a salvo, no seu mundo particular.
mas há de se admitir que não há muitas soluções à respeito da imprevisibilidade das coisas.
encontrar, por um acaso, em um ponto de ônibus que você nunca imaginaria encontrar, por exemplo, estava em seus planos? tem como excluir essas situações do seu alcance como se apaga as mensagens, joga no 'lixo' os emails e por aí vai?
parece que não.
estava nos seus plano o encontro do metrô?
não adianta se esconder atrás dos fios de cabelo que dispersos caem sobre seu rosto. esconder a curiosidade.
é tão engraçado ver a aflição tímida nos seus dedos que mexem no cabelo como se não tivessem mais nada interessante para se fazer. é como balançar as pernas quando o ócio espreita.
bobagem.
todos esses movimentos involuntários só refletem como a imagem daquele ser que fora enterrado ainda te aflige. mexe contigo. te deixa descabido. entorta seu caminho. te deixa sem palavras.
só resta a certeza de que possibilidades - que, por excelência, são todas futuras - são impossíveis de serem apagadas da agenda, do celular, da caixa de entrada, das redes sociais.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O lamento das coisas


Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos,
O choro da Energia abandonada!

É a dor da Força desaproveitada
— O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
jazem ainda na estática do Nada!

É o soluço da forma ainda imprecisa...
Da transcendência que se não realiza...
Da luz que não chegou a ser lampejo...

E é em suma, o subconsciente ai formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!

(Augusto dos Anjos)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Gavetas

Guardam pequenas ou grandes porções de oxigênio, ar e poeira
Enquadram o caos dos tempos, o esquecimento, a lembrança, a segurança, as chaves
Cartões, bilhetes e objetos inutilizados, dentro dela, encontram algum conforto
Restos úteis, memórias descartadas, compromissos indesejados, a conta vencida...
Todos convivem sem estranhamento na gaveta
Desejos, incertezas e frustrações estão neste perímetro simétrico de tempo

terça-feira, 6 de abril de 2010

Inteligência é...

- quero cancelar o cartao.
- ag e conta.
- levaram com meu cartao. cpf?
- nao podemos fornecer informações atraves do num do cpf por tel. pode ser outra pessoa com o num do seu cpf.
- quem rouba nao liga pro banco pra cancelar cartao. iria adorar se o ladrao q me roubou cancelasse meu cartao.
- ... senhora... vou localizar um gerente. aguarde um min na linha - tu tu tu tu"