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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Soma

Quem diria que chegaríamos
A qualquer lugar
Achava que ia durar?

O tempo da vida, que passa
A tempestade chacoalhou

Enobreceu o que carrega dentro
No estômago revirado
A faísca borrada, o dorso surrado

Ficou.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Til



Através da tecla, enviei
De lá, ela perguntou o que era
Eu disse ‘til’, sorrindo
Se fez poema, em nada
Como se faz querer em qualquer palavra

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Como ia dizendo...

...as palavras vem e eu vou inalando
respiro fundo e elas saem flutuando

agarro uma e outra, no papel, são capturadas
não me importo se elas gostam de falar bem ou mal
da minha vida presente ou passada

elas tem vida própria
leem livro, jornal, escutam música
saem pra passear

tomam sorvete, viajam
voltam porque querem
tomam sol

vagueiam por mim
e saem assim

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Filme: O Som ao Redor (divagação)




O som ao redor é a constante martelada que tira o sono. Aos poucos, se faz mais e mais insuportável. É um caos silencioso, uma catástrofe muda. É a empregada que passa a roupa descalça e o patrão que corre o risco de sofrer um processo trabalhista, caso ela tome um choque. É o neto de família abastada que resolve roubar som de carro pra se divertir. É o cachorro do vizinho que uiva a noite toda.

Este som ao redor é aterrorizante, porque é capaz de motivar o som que vem de dentro, que está aparentemente bem protegido pelo muro, pela porta trancada, pela segurança particular. É um eco, não assumido, do preconceito, dos incômodos que as diferenças sociais são capazes de trazer.

A metáfora das distancias que existem, mas que se mantém, sem esforços, tão próximas dentro de uma sociedade, é expressa pelos ruídos que atiçam de dentro pra fora toda a podridão velada. Melhor começarmos a dar ouvidos e, melhor, tentar entender O Som ao Redor.

Uma letra qualquer sobre amor


                                             
Conversa comigo 
faz cafuné
cobre meu pé

ensaboa a barriga
veste a roupa
faz uma comida boa

diz que a mãe vai me aceitar como nora
me conta uma história

faz cara de boba
tira minha roupa
compra chocolate
divide e dá uma metade

faz planos
vai durar mais que os anos
o nosso amor

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Rotina parte I


                                             
A vulnerabilidade que a rotina - e os utensilios que fazem parte dela - traz é percebida quando se esta fora dela. 
Banheiro sem pia ou vaso sanitário; colchão diferente, lençol mal cheiroso; suco de mamão. 
Coisas banais que assustam pela maneira como chegam inesperadamente em sua vida e causam, inicialmente, desconforto, medo, fraqueza. 
O que nos mantém fortes? O pão que estamos acostumados a comer no café da manhã? A água quente que cai do chuveiro? A roupa passada que trocamos após o banho? 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Aos mineiros de Potosí

Dentro da montanha ñ há uma grande preocupaçao
Ñ é preciso esquentar os pensamentos até virarem carvao

Os homens que ali trabalham vivem o presente
Ñ sabem se irao sair e rever seus entes

O que eles fazem é oferecer a
Pachamama e a Tio sua fé

Esperam que em troca
Os deuses lhe deem uma generosa dose
De proteçao e que saiam da grande mina
Saos

(*revisao ortográfica será feita assim que eu tiver acesso a um teclado brasileiro. Digitado em um teclado castelhano.)