Só pra dizer
Que nas coisas mais banais
No raio do sol
No arroz com feijão
No leite morno
Na tv ligada
No gibi amarelado
Na cama desarrumada
Tem você
Quando era criança, costumava chorar sozinha.
Antes de dormir, puxava o cobertor pra cobrir a cabeça.
Não soluçava, não emitia um gemido sequer. Mas chorava.
Sentia-se sozinha.
Uma sensação de total vazio. O mundo era um buraco e ela se fazia um cisco de pó naquela imensidão negra.
Hoje, chora sozinha, no chuveiro.
Uma maneira de não admitir o choro, que enquanto água que cai dos olhos e se mistura com a correnteza do banho, não assume o pranto.
Não se sente mais o ínfimo nada de pó.
Se enxuga, veste algo e se perfuma. Sai pra rua em direção a mais um domingo.