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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

um

não me interessa a singularidade de uma palavra

se ela não transpassa o nível do vazio


ela extravasa

me ameaça

a ser outro


daquilo que foi e não deve ser

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Vertigem I

Fiz uma poesia
ela nunca conseguirá mostrar
como é grande o amor que tenho pra te dar

É audaciosa e pensa que pode ostentar
meu coração totalmente sem razão
quando fixa seu olhar

Fica até sem ar, todo sem sentido e cheio de ruido

Você é o motivo da vertigem.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sobre


Buscam aditivos no lixo. 
É tenue a margem que os mantém na vida. 
Sobre o viaduto, a grade segura o que sobrou. 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Melhor amigo


Quando começa a martelar
extinguem-se quaisquer chances de resistência às palpebras abertas

Rivotril. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

QUEIMA

Esquece a cabeça / Segue o sol/ Arde pensamento / Flutua a nuvem / Pede a unção / Refresca a chuva / Descansa a preocupação

Um inutensílio.


A poesia é um inutensílio. A única razão da poesia é que ela faz parte daquelas coisas inúteis da vida que não precisam de justificativa porque elas são a própria razão de ser da vida. Querer que a poesia tenha um porquê, querer que a poesia esteja a serviço de alguma coisa é a mesma coisa, por exemplo, que você querer que um gol do Zico tenha uma razão de ser, tenha um porquê, além da alegria da multidão. É a mesma coisa que querer, por exemplo, que um orgasmo tenha um porquê. É a mesma coisa que querer, por exemplo, que a alegria da amizade, do afeto, tenha um porquê. A poesia faz parte daquelas coisas que não precisam ter um porquê. Pra que porquê?

P. Leminski.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

no dicionário


Ciúmes. Ad. Significado: 45 graus no peito. Azedume no estômago.