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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Uma outra safra

Estômago vazio
Fome de contentamento
Empanturrado de incertezas

Farta de idealizações
A safra dos novos projetos
Nunca deixa a desejar

Uma grande pena
Que a estação das realizações
Tarda chegar



terça-feira, 2 de julho de 2013

Raio X

A radiografia expõe tudo
Que tem dentro do corpo da gente

Só não mostra um
Registro do inconsciente

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Segunda

Ô, chuva!
Lava o que tem de lavar
Vai-te embora
Só não me conduza

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Haikais confessionais

I

O medo povoa
Se o pensamento não voa


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II

A lua vivia
Quando o sol jazia

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Gasto

O que fazer
para as minhas frases
Algum efeito ter?

Literatura estrangeira
Ou procurar inspiração
Embaixo do pé de laranjeira?

Tanta intelectualidade
Para ficar olhando pela janela
Toda essa passarela
De pedra, gente, pé e pó

Tanta ideia para ficar
Confortavelmente apoiada
Sobre essa escrivaninha surrada

Tanta indisposição e reflexão
Se prendem a esse chão
Pouco pisado por um coração

O que pode faltar 
É a coragem de gritar
Então melhor no imaginário [sem tocar]
Se agarrar

Porque dentro dos livros
Eles [ os sentimentos]
Sabem a hora de se esfarelar

sábado, 1 de junho de 2013

Ressaca


Acordei com dor de cabeça
Fui até a cozinha
Já era hora da sobremesa

Não entendi
Vi todos à mesa
E percebi

Que
a noite passou
mergulhei no sono

Sonhei que acordava
E já era dia, a hora corria
Eu nem via

Enquanto isso
Algo no dia se mexia
Era a vida que me fugia

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Um repente pro contemporâneo

Mexe com o ego de muito nego
Os atos políticos
Se vistos por um viés psicanalítico

Nos últimos dez anos
A massa passa menos fome
Até a empregada come danone

O classe média tira visto pro estrangeiro
E junta mais dinheiro

Mas é claro que rico vai reclamar
Ele não é mais único que tira foto no mar

E a doméstica exige a carteira assinada
Pra parar de chão esfregar