Um recado do genial Mario Chamie
Chuva Interior
Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.
Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.
Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.
Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.
Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
sábado, 27 de abril de 2013
Desassossegada
Talvez, ela seja só uma desassossegada
Pensa em fragmentos, muitas coisas, e tudo ao mesmo tempo
A vida prática se torna muito dura para quem sonha demais
Inclusive, porque, existe certo desânimo
Para tirar algumas coisas das ideias e trazer aos dias físicos
Por vezes, se torna frustrante, inacabado
É engraçado e curioso como, apesar do sonho alimentar o homem de muitas sensações
É na realidade propriamente realizada, construída materialmente
Que aprendemos o valor que a realização material tem
Esta, talvez, seja apenas um caminho
Porque a realização imaginária das coisas também tem valor
Ela pode multiplicar-se, ser muitas, diversas, ilimitada
Pensa em fragmentos, muitas coisas, e tudo ao mesmo tempo
A vida prática se torna muito dura para quem sonha demais
Inclusive, porque, existe certo desânimo
Para tirar algumas coisas das ideias e trazer aos dias físicos
Por vezes, se torna frustrante, inacabado
É engraçado e curioso como, apesar do sonho alimentar o homem de muitas sensações
É na realidade propriamente realizada, construída materialmente
Que aprendemos o valor que a realização material tem
Esta, talvez, seja apenas um caminho
Porque a realização imaginária das coisas também tem valor
Ela pode multiplicar-se, ser muitas, diversas, ilimitada
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Geografia
Com minha bagagem embarco
Ora dura minutos, ora horas, ora dias
Aterrisso como um turista morto de fome
Em um ato antropofágico
[Com mãos e boca]
Caminho cada milímetro da sua geografia
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Poesia musicada
Quando a poesia se emudece em mim
Sempre há os que continuam fazendo dela a sua voz.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
O armário
Ainda não compreendi
o que estava escrito ali
Confissões de um sedentário
Que passara anos escondido dentro de um armário
Rabiscava as paredes
E deixara minúsculos bilhetes
Afim de alguém que pudesse ouvir suas preces
Ele rogava por ser ouvido, que alguém lesse o que havia dito
Eram murmúrios, lamentações, iras e acusações
Não entendia porque havia nascido
Sempre pensou que não estava protegido
De alguma maneira, cobrava por seu coração ser tão partido
Sabia que sozinho não adiantava mais
Via vultos, figuras que vinham de algum lugar
O desespero e a sede o fizeram levantar
Ao sair, viu que havia tempo, conhecia aquela realidade
Mas andara engessado pela sua própria enfermidade
sexta-feira, 15 de março de 2013
Rilke e o amor
“Nenhum terreno na experiência humana é tão cheio de convenções
como este. Há nele uma profusão de cintos salva-vidas, canos e bexigas natatórias,
toda a espécie de refúgios preparados pela opinião que, inclinada, a considerar
a vida amorosa um prazer, teve de torná-la fácil, barata, sem perigos e segura
como os prazeres do público. No entanto, muitos jovens que amam erradamente,
isto é, entregando-se simplesmente sem manterem sua solidão.”
Rainer Maria Rilke
A única coisa que eu nao quero nessa vida é aprender a
desamar.
terça-feira, 12 de março de 2013
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