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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Chuva Interior

Um recado do genial Mario Chamie

Chuva Interior

Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.

Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.

Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.

Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.

Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.

sábado, 27 de abril de 2013

Desassossegada

Talvez, ela seja só uma desassossegada
Pensa em fragmentos, muitas coisas, e tudo ao mesmo tempo
A vida prática se torna muito dura para quem sonha demais

Inclusive, porque, existe certo desânimo 
Para tirar algumas coisas das ideias e trazer aos dias físicos
Por vezes, se torna frustrante, inacabado

É engraçado e curioso como, apesar do sonho alimentar o homem de muitas sensações
É na realidade propriamente realizada, construída materialmente
Que aprendemos o valor que a realização material tem

Esta, talvez, seja apenas um caminho
Porque a realização imaginária das coisas também tem valor
Ela pode multiplicar-se, ser muitas, diversas, ilimitada

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Geografia


Com minha bagagem embarco 
Ora dura minutos, ora horas, ora dias 
Aterrisso como um turista morto de fome 

Em um ato antropofágico 
                       [Com mãos e boca] 
Caminho cada milímetro da sua geografia

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Poesia musicada

 Quando a poesia se emudece em mim
 Sempre há os que continuam fazendo dela a sua voz.











quinta-feira, 4 de abril de 2013

O armário


Ainda  não compreendi o que estava escrito ali
Confissões de um sedentário
Que passara anos escondido dentro de um armário

Rabiscava as paredes
E deixara minúsculos bilhetes
Afim de alguém que pudesse ouvir suas preces

Ele rogava por ser ouvido, que alguém lesse o que havia dito
Eram murmúrios, lamentações, iras e acusações
Não entendia porque havia nascido

Sempre pensou que não estava protegido
De alguma maneira, cobrava por seu coração ser tão partido
Sabia que sozinho não adiantava mais

Via vultos, figuras que vinham de algum lugar
O desespero e a sede o fizeram levantar
Ao sair, viu que havia tempo, conhecia aquela realidade

Mas andara engessado pela sua própria enfermidade

sexta-feira, 15 de março de 2013

Rilke e o amor


“Nenhum terreno na experiência humana é tão cheio de convenções como este. Há nele uma profusão de cintos salva-vidas, canos e bexigas natatórias, toda a espécie de refúgios preparados pela opinião que, inclinada, a considerar a vida amorosa um prazer, teve de torná-la fácil, barata, sem perigos e segura como os prazeres do público. No entanto, muitos jovens que amam erradamente, isto é, entregando-se simplesmente sem manterem sua solidão.”

Rainer Maria Rilke

A única coisa que eu nao quero nessa vida é aprender a desamar.

terça-feira, 12 de março de 2013

Distração

Quando pensaria
que por estas ruas um dia andaria?